Bullying não forma caráter, mas sim vítimas.

Bullying não forma caráter, mas sim vítimas.

Está aí uma frase muito comum ouvirmos nas conversas e nas mídias: “Bullying forma caráter”. Mas será mesmo? E o que querem dizer com isso? Será que passar por uma situação de sofrimento nos torna mais fortes? Deve-se sentir orgulho por ter passado por uma situação como essa? Quem não sofre bullying não forma caráter?

Entende-se bullying como um conjunto de agressões repetidas entre alunos no ambiente escolar. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2015, aproximadamente um em cada dez estudantes é vítima frequente desse fenômeno nas escolas.

Essa situação pode trazer consequências graves para as vítimas como o desenvolvimento de psicopatologias como a depressão e a ansiedade, prejuízos na formação de relacionamentos saudáveis e até o suicídio em casos extremos.

Portanto, é incorreto dizer que o bullying gera algo positivo como “formação de caráter”. O que ocorre é que pessoas que contam com apoios para superar situações difíceis muitas vezes encontram forças para se superar e se tornarem melhores. Mas, de modo algum isso torna o sofrimento algo desejável.

Para conseguir transformar a situação adversa em algo positivo, é preciso uma boa estrutura psicológica e relacionamentos saudáveis. A ajuda profissional por meio da psicoterapia, por exemplo, também tem se mostrado importante para a superação de dificuldades como essa e a prevenção das consequências graves associadas ao bullying.

Podemos concluir então que com bullying forma-se apenas vítimas e sofrimento. A força da vítima, um ambiente escolar saudável, apoio dos amigos e familiares e a ajuda profissional da psicoterapia, isso sim podemos dizer que formam “caráter”.

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Matéria Por

Marco Ricardi de Abreu

Psicólogo

CRP 06/143002 | São José do Rio Preto

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